Segunda-feira, Agosto 06, 2007

El Lobo na Coyote!


STOP THE PRESS!!!
Finalmente, as traduções que fiz dos poemas do Julio.E justamente em agosto, quando ele completaria anos. E justamente agora, quando estou nos finalmentes da biografia, conversando diretamente com amigos dele e chegando perto, perto, perto.



A foto da capa é do curitibano João Urban

Está saindo nova edição da revista Coyote. O número 15 começa a chegar nas livrarias de todo o país em duas semanas, no máximo. É uma edição bem especial para nós, editores: estamos completando 5 anos de uivos contra o conformismo. A cereja do bolo é o dossiê Julio Cortazar, com poemas (sim, poemas) jamais traduzidos no Brasil e fragmentos da última entrevista concedida por ele a um jornal francês. As traduções são de Cassiano Viana. Mas tem muito mais nas páginas da revista. Aguardem.
http://zonabranca.blog.uol.com.br/

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Um certo Julio Cortázar

27 anos sem o grande cronópio.
Segunda, dia 12, a partir das 20h, na Dantes (Cine Odeon Br - Cinelândia), uma nova leitura de inéditos do Cortázar, agora alguns contos de "La otra orilla" (1945), que acabo de traduzir.
Convidei alguns amigos para realizar a leitura, dentre eles Guilherme Kato, Ricardo Cabral, Diego Pale, Ricardo e Carol Cunha Lima (o belíssimo cartaz/convite é obra dos dois), Marcelo Moutinho, Beatriz Cardoso e Löis Lancaster.

Um certo Julio Cortázar

27 anos sem o grande cronópio.
Segunda, dia 12, a partir das 20h, na Dantes (Cine Odeon Br - Cinelândia), uma nova leitura de inéditos do Cortázar, agora alguns contos de "La otra orilla" (1945), que acabo de traduzir.
Convidei alguns amigos para realizar a leitura, dentre eles Guilherme Kato, Ricardo Cabral, Diego Pale, Ricardo e Carol Cunha Lima (o belíssimo cartaz/convite é obra dos dois), Marcelo Moutinho, Beatriz Cardoso e Löis Lancaster.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Tabla de contenidos / A tentação do livro

Primeiro texto para o site da Dantes (www.dantes.com.br).Sempre tive uma grande vontade de escrever com interferências (trechos que vou guardando aqui comigo) de autores como Borges, a partir de uma estória, fio-condutor do que vier. Borges, após uma longa e deliciosa conversa ontem, inaugura essa minha galeria ou panteão ou carajo, o raio que parta a todos. Com o convite da Anna, coloco a idéia em prática.É isso. Aqui vai o texto.

Na vida as possibilidades são tão variadas quanto uma história onde é permitido ao leitor interferir em seu desenvolvimento até chegar ao final surpreendente. Aqui se encerra o problema dessa inusitada equação: o desenrolar do enredo quase nunca depende unicamente dos caprichos e da vontade de um só autor. Para mim, a vida é formada de trechos escritos por vários autores, um por capítulo, ou, simultaneamente. É como se Shakespeare e Cervantes escrevessem uma mesma novela a quatro mãos com Joyce, Kundera, Asimov. Às vezes a vida é dantesca e, a bem da verdade, maior parte do tempo, pouco se configura num conto-de-fadas, no pequeno príncipe de Saint-Exupery ou numa das inúmeras fábulas dos irmãos Grimm. Há pouco para lembrar antes do primeiro livro. Depois ficou mais fácil entender e tentar escrever a minha própria história. Os caminhos são diversos, e agora outros.

Duas vezes Borges: Um: “Sometimes, looking at the many books I have at home, I feel I shall die before I come to the end of them, yet I cannot resist the temptation of buying new books. Whenever I walk into a bookstore and find a book on one of my hobbies - for example, Old English or Old Norse poetry - I say to myself, “What a pity I can't buy that book, for I already have a copy at home”.

Dois: "Mi destino sigue siendo un misterio. Estoy ciego, la mayoría de mis contemporáneos han muerto; soy un hombre tímido y desde el año 55 ya no puedo leer, tengo que recitar cosas que se me ocurren... Cuando estoy solo, continuamente estoy tramando poemas, cuentos, fábulas, porque tengo que poblar mi soledad. [si pudiera volver a ver], yo volvería a leer algunos de los pocos libros que hay aquí; quizás saldría a la calle a reencontrarme con algún recuerdo de Buenos Aires. Miraría al espejo para ver que cara tengo. Aunque no, pienso que es una suerte para mí imaginarme con la cara que tuve a los 55 años. Desgraciadamente tengo ochenta y tantos años. ¿Qué otra cosa puedo hacer que no sea escribir y soñar...?"

[1]Jorge Luis Borges, “The Riddle of Poetry”.
[2]Jorge Luís BORGES, trechos da entrevista "Borges, el eterno", realizada em Buenos Aires, 1983, por Julio César Calistro.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

W. H. Auden - Traduzido


ENQUANTO CAMINHAVA UMA NOITE
W. H. Auden

Enquanto caminhava uma noite,
Ao acaso pela Rua Bristol,
A multidão sobre o calçamento
Era campo de trigo colhido.

E sob o rio transbordante
Debaixo do arco da ferrovia
Ouvi um amante cantar:
“O amor não tem fim.

“Te amarei, querida, te amarei
Até a China e a África se encontrarem,
E o rio saltar a montanha
E o salmão cantar na rua,

“Te amarei até o oceano
Estar recoberto e condenado a secar
E grasnarem as sete estrelas
Como gansos sobre o céu.

“Os anos correrão como coelhos,
Porque em meus braços, carrego
A flor da Idade,
E o primeiro amor do mundo”.

Porém, todos os relógios da cidade
Começam a vibrar e badalar:
“Oh, não permita se enganar pelo tempo,
Não podes conquistar o tempo.

“Na toca do pesadelo
Onde a justiça está nua,
O tempo observa das sombras
E tosse enquanto beijas.

“Em angústias e preocupações
Lentamente a vida escapa,
E o tempo terá sua ilusão
a-manhã ou a-gora.

“Em verdes vales
Corre a neve pavorosa;
Quebra o tempo o passo da dança
E o arco brilhante do escafandrista.

“Oh, mergulha tuas mãos na água,
Mergulhe-as até o pulso;
Encare, encare na pia
E contemple o que você perdeu”.

“A geleira habita o armário,
O deserto suspira na cama,
E a fenda na xícara de chá abre
Uma travessa para a terra dos mortos.

“Onde mendigos rifam cédulas bancárias
E o Gigante é encantador para João,
E o Pequeno-franzino branquelo ruiva ameaçador,
E Maria afunda em suas costas.”

“Oh, veja, veja o espelho,
Oh, veja quanto sofrimento:
A vida permanece uma benção
Embora não possa abençoar.”

“Oh, fique, fique na janela
Tanto quanto as lágrimas escaldam e principiam;
Deverás amar teu desonesto vizinho
Tanto quanto seu coração.”

Era tarde, tarde na noite,
Os amantes, eles se foram;
Os relógios cessaram seu badalar,
E o profundo rio correu.

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Bix no Paralelos

Bix no Prosa e Verso (Globo)

Bix no Idéias do JB

Segunda-feira, Julho 03, 2006

Bix Beiderbecke na Dantes

Quinta-feira, Junho 29, 2006

O filho do vampiro


"Provavelmente todos os fantasmas sabiam que Duggu Van era um vampiro. Não o temiam, mas deixavam o caminho livre quando ele saia de sua tumba precisamente à meia-noite e entrava no antigo castelo à procura de seu alimento favorito.

O rosto de Duggu Van não era agradável, a quantidade de sangue ingerido desde sua suposta morte – no ano de 1060, pelas mãos de um menino, novo David armado de uma atiradeira-punhal – havia infiltrado em sua pele opaca a coloração mole das madeiras que ficam por muito tempo debaixo d’água. A única vida naquele rosto eram seus olhos. Olhos fixos na figura de Lady Vanda, adormecida como um bebê na cama que não conhecia mais que seu corpo leve.
Duggu Van caminhava sem fazer ruído, a mescla de vida e morte que formava seu coração se resolvia em qualidades inumanas. Vestido de azul escuro, acompanhado sempre por um silencioso séqüito de perfumes rançosos, o vampiro passeava pelas galerias do castelo buscando depósitos vivos de sangue. A indústria frigorífica o houvera indignado".

Terminei a tradução hoje. Cortázar escreveu esse conto ("El hijo del vampiro") em 1937. Um dos primeiros. Publicado em 1945 em La otra orilla.



Na foto: Cortázar e Gabo.

Bix Beiderbecke na Storm Magazine (Portugal)


"Sou panamenha e há tempos vivo com Bix. Escrevo e passo para a linha seguinte: ninguém irá acreditar; se acreditassem, seriam como eu e não conheço ninguém assim. Não exatamente eu, mas ao menos como eu. O que é uma vantagem porque dessa maneira posso escrever sem que me importe que leiam ou não, que ao final queime isto com o último fósforo do último cigarro, ou que o deixe abandonado na rua, ou que o dê para qualquer um, para que faça o que der na telha; tudo estará distante, tão distante de mim e de Bix".

Minha tradução de Bix Beiderbecke na Storm Magazine (Portugal)
Link aqui.